Gesso: utilização Além do Acabamento

Após regularização das normas pela ABNT, produto está sendo utilizado na construção de casas, principalmente nos estados da região Sudeste do país.

Em média, uma casa de 42 metros quadrados leva entre dois e quatro dias para ter as paredes levantadas.
Pernambuco detém 97% da produção de gesso do Brasil. Concentrada no Sertão do Araripe, a atividade gera 9.600 empregos diretos e atende a todo o país em variados setores econômicos mas é na construção civil onde estão os principais clientes. Mais da metade da produção (60%) é destinada a estre segmento. E aí não estamos falando apenas de acabamentos, como os conhecidos rodapés ou rodatetos. Hoje, o gesso é utilizado na construção como um todo, sendo usado desde levantamento de paredes internas e externas, reforçando a alvenaria, até os conhecidos e já tradicionais itens de decoração.

“O produto está sendo muito utilizado na construção de casas. Basicamente, é necessário que tenha um projeto direcionado e se estabeleça se será primeiro ou térreo e segundo andar. O uso tem crescido principalmente após a normatização do produto pela ABNT”, ressalta o presidente da Câmara Setorial do Gesso da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (AD Diper). A norma em questão é a 12129:2017- Gesso para Construção Civil- Determinação das propriedades mecânicas, elaborada pela Comissão de Estudo Especial de Gesso Natural e Seus Derivados da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A norma estabelece o método para determinação das propriedades mecânicas do gesso para a construção denominadas: dureza e resistência à compressão.

De acordo com Inojosa Filho, algumas características são primordiais para o aumento da procura pelo produto como, por exemplo, a facilidade de moldagem, boa aparência, acústica mais aprimorada e produtividade elevada. “A aplicação dos revestimentos em gesso é mais rápida e fácil do que a das argamassas convencionais, então o tempo da construção é bem maior. Para se ter uma ideia, uma casa de 42 metros quadrados para ser construída com gesso leva uma média de três a quatro dias para levantar as paredes e 15 dias para finalizar a obra”, calcula.

Na construção de edifícios, o gesso é utilizado nas paredes internas. “Em média, há uma redução de 30% no uso de aço e concreto nas superestruturas e de 11% na fundição”, ressalta Inojosa Filho. O empresário lembra ainda que o gesso é considerado um excelente isolante contra a propagação do fogo. Essa característica foi, inclusive, o ponto chave para que o produto ganhasse espaço no mercado europeu. Na França, o uso do gesso foi tornado obrigatório pelo Rei Luis XIV (conhecido como Rei Sol) em 1667, por causa do incêndio que destruiu Londres no ano anterior. Na época, as estruturas das casas eram feitas de madeira e passaram a ser revestidas com gesso para protegê-las do fogo.

Com relação à demanda, apesar da produção estar concentrada em Pernambuco, o produto não fica no Nordeste. Em torno de 60 % do consumo está nos estados do Sudeste. Apenas 25% ficam no Nordeste. “O Araripe tem uma produção mais forte por conta do clima, que é muito seco e facilita a pré- fabricação dos moldes. De Pernambuco, distribuímos por via terrestre para todo o país”, pontua

Vantagens da utilização do Gesso na Construção

O Brasil produz 5,4 milhões de toneladas de gesso por ano, sendo que entre 85% e 90% deste total é utilizado na Construção Civil como placas para forro e material para revestimento. Na maioria dos casos, segundo informações do vice-presidente do Sindicato da Indústria do Gesso de Pernambuco (Sindusgesso), Josias Inojosa de Oliveira Filho, quem define a compra dos produtos de gesso no processo construtivo é o dono da construtora, o diretos técnico, ou o arquiteto responsável pela obra.

Vantagens
Para o vice- presidente da Sindugesso, além de oferecer vantagens funcionais em relação à alvenaria convencional, de cerâmica vermelha e de cimento, os blocos de gesso proporcionam economia de até 20 % no processo de construção de edifícios.
“Estudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo e do Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP) comprovam que as paredes de blocos de gesso oferecem maior resistência do que as construídas com tijolos cerâmicos ou de cimento”, revela.

Ele comenta que no Brasil, na Austrália e em outros países, são construídos edifícios de apartamentos e prédios corporativos com alvenaria externa em blocos de gesso. “A impermeabilização perfeita e a manutenção correta da fachada, para que permaneça sempre impermeável, são fundamentais para a vida útil da edificação. A alvenaria de gesso exige o mesmo cuidado que se tem com fachadas construídas com tijolo cerâmico ou de cimento”, diz.

Oliveira Filho comenta, ainda, que no Brasil, o uso de blocos de gesso nas paredes externas não é maior devido a casos de infiltração que são imputados aos blocos de gesso. “Esses problemas surgem em razão da má execução do trabalho ou pela falta de manutenção do revestimento da fachada”, explica. Em sua análise, isso ocorre devido à falta de cultura em relação ao uso do gesso como material nobre na Construção Civil brasileira. “Mas este quadro está mudando e os produtos de gesso estão ganhando cada vez mais espaço”, diz.

Fonte: AECweb

Bloco de gesso é alternativa eficiente para paredes internas em edificações

Ao optar por este material, você investe em qualidade, resistência e conforto para seu espaço

 Em palestra realizada recentemente no Sinduscon – JP, a engenheira civil e consultora Ana Costa apresentou aspectos do Sistema Construtivo Superwall. Na oportunidade, técnicos ergueram uma parede para mostrar a rapidez e a limpeza na construção com gesso. Além de atender a Norma de Desempenho (NBR 15.575), permite a execução rápida, enxuta e econômica da obra.

 

Segundo a engenheira, o drywall utiliza cartões de gesso sustentados por uma estrutura metálica. Neste caso, o bloco de gesso se assemelha à alvenaria convencional, sendo tijolos substituídos pelos blocos e a argamassa pela cola, ambos produtos à base de gesso. “Fica uma alvenaria robusta, que se pode fazer qualquer coisa com ela, sem precisar de guia, nem da parte metálica para aguentar o peso”, valoriza.

 

Ainda de acordo com Ana, as principais vantagens do sistema são: ganho de resistência na parede em relação à compressão e tração na flexão; isolamento térmico incomparável; redução de resíduos que geram no processo construtivo, tendo o desperdício na faixa de 2%; redução do peso de carga e na estrutura da edificação, possibilitando economia de até às 17% na obra total.

 

“Em relação ao uso, como se parece com alvenaria, as pessoas não sentem diferença, por isso, podem colocar pregos ou fazer reparos”, explica engenheira.

 

A matéria prima é fornecida diretamente do Polo Gesseiro do Araripe, mais especificamente da cidade de Araripina, em Pernambuco. O produto é certificado por Documento de Avaliação Técnica (DATec), da Queiroz Galvão, atestando a legalidade do produto perante NBR (15.575).

 

O objetivo do evento promovido foi mostrar como o sistema, desenvolvido na Europa, encaixa-se nos parâmetros legais da construção civil. A intenção é acrescentar informações não somente para o público deste setor da Paraíba, mas de todo o Brasil, para que possam ter o conhecimento e usufruam dessa tecnologia nos seus trabalhos.